A contratura capsular é uma alteração que pode ocorrer ao redor da prótese de silicone quando a cápsula formada naturalmente pelo organismo se torna mais espessa e contraída. Dependendo da intensidade, essa condição pode provocar endurecimento da mama, desconforto, alteração do formato e mudança na posição do implante. Ela pode surgir meses ou até anos após a cirurgia e precisa ser avaliada individualmente.
A formação de uma cápsula ao redor do implante faz parte da resposta normal do organismo. Portanto, ter uma cápsula não significa ter contratura capsular.
O problema acontece quando esse tecido sofre alterações e começa a exercer pressão excessiva sobre a prótese.
O que é a cápsula formada ao redor da prótese?
Quando uma prótese de silicone é colocada na mama, o organismo reconhece o implante como um corpo estranho e forma uma camada de tecido cicatricial ao seu redor.
Essa camada é chamada de cápsula.
Em condições habituais, ela permanece fina e flexível, envolvendo o implante sem provocar sintomas importantes.
Em algumas pacientes, entretanto, essa cápsula pode ficar mais espessa, rígida e contraída. É nesse contexto que ocorre a contratura capsular.
Por que a contratura capsular acontece?
Não existe uma única causa capaz de explicar todos os casos.
A contratura capsular é considerada uma condição multifatorial. Isso significa que diferentes fatores podem estar envolvidos no processo de alteração da cápsula.
Entre os fatores estudados estão processos inflamatórios, contaminação bacteriana, formação de biofilme, sangramento ao redor do implante, características individuais da cicatrização e condições relacionadas à própria cirurgia.
Isso também explica por que duas pacientes submetidas a procedimentos semelhantes podem apresentar evoluções diferentes.
O que é biofilme e qual sua relação com a contratura capsular?
O biofilme é uma organização de microrganismos que pode se formar sobre determinadas superfícies.
No contexto dos implantes mamários, existe uma possível relação entre contaminação bacteriana de baixa intensidade, resposta inflamatória persistente e desenvolvimento da contratura capsular.
Essa é uma das razões pelas quais os cuidados relacionados à técnica cirúrgica, ao ambiente do procedimento e à manipulação do implante fazem parte do planejamento da cirurgia mamária.
Entretanto, a formação de uma contratura não pode ser atribuída automaticamente a uma única causa.
Sangramento pode favorecer a contratura capsular?
O acúmulo de sangue ao redor da prótese, conhecido como hematoma, pode aumentar a resposta inflamatória local.
Por esse motivo, sangramento e hematomas estão entre os fatores considerados quando se discute a formação de alterações capsulares.
Isso não significa que todo hematoma resulte em contratura.
A evolução depende de diferentes características do organismo e das condições clínicas apresentadas pela paciente.
A contratura capsular pode aparecer anos depois da cirurgia?
Sim.
Embora alguns casos sejam identificados nos primeiros meses ou anos após a colocação dos implantes, a contratura capsular também pode surgir posteriormente.
Por isso, uma paciente que passou muitos anos sem alterações pode perceber endurecimento, desconforto ou mudança no formato da mama em outro momento.
Quando uma modificação aparece depois de um período de estabilidade, é importante investigar sua causa.
Quais são os principais sinais da contratura capsular?
A manifestação pode variar bastante.
Algumas pacientes apresentam alterações discretas, enquanto outras percebem mudanças mais evidentes.
Entre os sinais que podem estar presentes estão:
- Endurecimento da mama
- Sensação de prótese mais rígida
- Desconforto ou dor
- Alteração do formato mamário
- Mudança na posição do implante
- Assimetria entre as mamas
- Sensação de tensão na região
Esses sintomas não são exclusivos da contratura capsular. Outras condições relacionadas às mamas e aos implantes também precisam ser consideradas.
O que são os graus de contratura capsular?
Uma das classificações utilizadas para avaliar clinicamente a contratura capsular é a classificação de Baker.
Ela divide a condição em quatro graus.
No grau I, a mama apresenta aspecto e consistência considerados habituais.
No grau II, pode existir maior firmeza, mas sem alteração importante do formato.
No grau III, a mama se apresenta mais endurecida e pode ocorrer alteração visível do contorno.
No grau IV, além do endurecimento e das alterações de formato, pode haver dor ou desconforto mais significativo.
Essa classificação auxilia na avaliação, mas não substitui a análise completa de cada paciente.
Contratura capsular pode acontecer em apenas uma mama?
Sim.
Mesmo quando as duas próteses foram colocadas na mesma cirurgia, a resposta dos tecidos pode ser diferente de um lado para o outro.
Uma mama pode apresentar maior rigidez, mudança no posicionamento ou alteração no formato enquanto a outra permanece sem características semelhantes.
O aparecimento de uma assimetria que não existia anteriormente é um dos motivos para procurar avaliação.
Prótese endurecida significa necessariamente contratura capsular?
Não.
Embora o endurecimento seja um dos sinais associados à contratura, não é possível estabelecer o diagnóstico apenas pela percepção da paciente.
Alterações no implante, mudanças nos tecidos mamários e outras condições também podem provocar sintomas ou modificações na aparência da mama.
Por isso, a investigação precisa considerar o histórico da cirurgia, o tempo de colocação da prótese, os sintomas e o exame físico.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa pela avaliação clínica.
O cirurgião examina a consistência das mamas, a posição dos implantes, possíveis assimetrias, alterações do contorno e sintomas relatados pela paciente.
Dependendo do caso, exames de imagem podem ser solicitados para complementar a investigação e avaliar as próteses e os tecidos ao redor delas.
Essa análise também é importante para diferenciar a contratura capsular de outras alterações que podem ocorrer em pacientes com implantes mamários.
Toda contratura capsular precisa de cirurgia?
Não necessariamente.
A conduta depende do grau da alteração, dos sintomas, das características da cápsula, das condições do implante e do impacto da situação para a paciente.
Casos diferentes podem exigir estratégias diferentes.
Quando existe indicação cirúrgica, o planejamento também precisa considerar se haverá abordagem da cápsula, manutenção ou troca do implante e outras possibilidades relacionadas à condição das mamas.
Capsulectomia pode fazer parte do tratamento?
Em determinadas situações, sim.
A capsulectomia consiste na retirada parcial ou total da cápsula formada ao redor do implante.
Entretanto, a presença de contratura capsular não significa que todas as pacientes precisarão exatamente da mesma abordagem.
A extensão do procedimento deve ser definida após avaliação das características clínicas e do planejamento cirúrgico.
É necessário retirar a prótese de silicone?
A decisão depende de cada caso.
Algumas pacientes podem ter indicação de troca do implante. Em outras situações, a retirada da prótese sem colocação de um novo implante pode ser considerada.
Também é necessário avaliar as condições da pele, o volume mamário, a cápsula e as preferências da paciente.
Por isso, não existe uma única conduta para todas as situações de contratura capsular.
Quando procurar avaliação?
Uma paciente com prótese de silicone deve procurar avaliação quando perceber uma mudança que não existia anteriormente.
Endurecimento progressivo, dor, assimetria, alteração do formato ou mudança na posição da prótese são exemplos de situações que merecem investigação.
Isso não significa necessariamente que exista uma contratura capsular, mas permite identificar a origem da alteração e definir se algum acompanhamento ou tratamento é necessário.
Conclusão
A contratura capsular acontece quando a cápsula formada naturalmente ao redor da prótese sofre alterações, torna se mais rígida e passa a exercer pressão sobre o implante.
Sua origem pode envolver diferentes fatores e a intensidade das manifestações varia entre as pacientes.
Por isso, perceber uma mama mais endurecida, dolorida ou com mudança de formato não deve levar a conclusões isoladas. A avaliação clínica e, quando necessário, os exames de imagem ajudam a compreender o que está acontecendo e a definir a conduta adequada para cada caso.