Se você perdeu a definição do contorno da mandíbula, a indicação entre lifting facial e lifting cervical depende principalmente de quais estruturas estão provocando essa mudança. Quando existe queda dos tecidos da face próxima à mandíbula, o lifting facial pode fazer parte do planejamento. Quando as alterações estão concentradas principalmente no pescoço, o lifting cervical pode ter maior participação. Em muitos pacientes, porém, face e pescoço apresentam mudanças ao mesmo tempo e precisam ser avaliados em conjunto.
Por isso, observar apenas a linha da mandíbula não é suficiente para definir qual cirurgia pode ser considerada.
Por que o contorno da mandíbula muda com o envelhecimento?
A perda da definição mandibular não acontece por um único motivo.
Ao longo do envelhecimento, podem ocorrer mudanças na pele, na distribuição dos volumes e na posição dos tecidos da face e do pescoço.
Essas alterações podem modificar justamente a transição entre mandíbula e região cervical.
Por isso, uma pessoa pode perceber que a mandíbula ficou menos definida mesmo sem apresentar uma mudança significativa na estrutura óssea.
O que pode causar a perda da definição da mandíbula?
Durante a avaliação, é importante identificar quais fatores participam dessa alteração.
- Flacidez da pele
- Mudança na posição dos tecidos faciais
- Alterações no pescoço
- Acúmulo de gordura abaixo do queixo
- Características anatômicas da mandíbula e do queixo
- Alterações relacionadas ao platisma
- Mudanças provocadas pelo envelhecimento
Mais de um fator pode estar presente no mesmo paciente.
Quando o lifting facial pode ser considerado?
O lifting facial pode ser avaliado quando a perda da definição mandibular está relacionada principalmente às mudanças dos tecidos da face.
Com o envelhecimento, tecidos que antes ocupavam determinada posição podem sofrer alterações e contribuir para a perda do contorno do terço inferior facial.
Nesse contexto, simplesmente acrescentar volume sobre a mandíbula não necessariamente aborda a causa da mudança.
O planejamento cirúrgico passa a considerar o reposicionamento dos tecidos envolvidos.
Quando o lifting cervical pode ser considerado?
O lifting cervical concentra sua abordagem nas alterações presentes no pescoço.
Quando existe flacidez cervical, excesso de pele, mudanças relacionadas ao platisma ou perda da definição da transição entre mandíbula e pescoço, uma avaliação para lifting cervical pode ser considerada.
O objetivo não é simplesmente criar uma mandíbula mais marcada, mas compreender quais estruturas cervicais estão interferindo no contorno.
Qual é a diferença entre lifting facial e lifting cervical?
A principal diferença está nas regiões e estruturas que precisam ser abordadas.
O lifting facial está relacionado às alterações da face, especialmente quando existe mudança na posição dos tecidos e perda da definição do contorno facial.
O lifting cervical está direcionado às alterações do pescoço.
Entretanto, essa divisão não significa que rosto e pescoço devam sempre ser tratados separadamente.
As duas regiões estão anatomicamente relacionadas.
É possível precisar dos dois procedimentos?
Sim.
Em alguns pacientes, a perda do contorno mandibular não está exclusivamente na face nem exclusivamente no pescoço.
Pode existir, ao mesmo tempo, queda dos tecidos faciais, flacidez cervical e mudanças na região abaixo da mandíbula.
Nessa situação, tratar apenas uma região pode não abordar todos os fatores responsáveis pela queixa.
Por isso, lifting facial e lifting cervical podem fazer parte do mesmo planejamento quando as alterações envolvem face e pescoço.
Como saber se o problema está mais na face ou no pescoço?
A avaliação precisa observar a origem da perda do contorno.
Quando existe maior participação dos tecidos da face, podem ser percebidas alterações próximas à linha mandibular e no terço inferior facial.
Quando o problema está predominantemente no pescoço, podem estar presentes flacidez cervical, excesso de pele, alterações abaixo do queixo ou bandas relacionadas ao platisma.
Frequentemente existe uma combinação desses fatores.
E se o problema for apenas gordura abaixo do queixo?
Essa é outra possibilidade.
O volume abaixo do queixo pode estar relacionado ao acúmulo de gordura, popularmente associado à papada.
Quando existe gordura localizada e a pele apresenta características adequadas, procedimentos voltados especificamente à gordura podem ser avaliados.
Porém, retirar gordura não possui o mesmo objetivo de tratar excesso de pele ou reposicionar tecidos.
Por isso, diferenciar gordura de flacidez é uma etapa importante do planejamento.
Lipoaspiração de papada ou lifting cervical?
A lipoaspiração e o lifting cervical possuem propostas diferentes.
A lipoaspiração atua principalmente sobre a gordura localizada.
O lifting cervical pode ser considerado quando existem alterações de pele e de outras estruturas do pescoço que precisam ser abordadas.
Em alguns pacientes, gordura e flacidez podem coexistir.
Nesses casos, a avaliação precisa considerar todos os componentes envolvidos antes de definir a estratégia.
Preenchimento de mandíbula pode resolver?
Depende da causa da perda de definição.
Quando existe uma característica relacionada à anatomia, projeção ou proporção da mandíbula, o ácido hialurônico pode ser considerado em determinados pacientes.
A situação é diferente quando o contorno foi perdido principalmente por flacidez e mudança na posição dos tecidos.
Adicionar volume à mandíbula não significa reposicionar os tecidos que sofreram alterações com o envelhecimento.
Por isso, é importante não confundir falta de projeção com perda do contorno provocada pela flacidez.
Harmonização facial pode substituir o lifting?
Harmonização facial e lifting possuem objetivos diferentes.
Procedimentos de harmonização podem trabalhar determinadas características relacionadas a volume, projeção e proporções.
O lifting possui uma proposta cirúrgica de abordagem dos tecidos que sofreram alterações com o envelhecimento.
Quando a perda da linha mandibular ocorre principalmente por queda e flacidez dos tecidos, aumentar progressivamente o volume pode não tratar a origem da alteração.
E o queixo pode interferir na percepção da mandíbula?
Sim.
A projeção e as proporções do queixo participam da percepção do terço inferior da face.
Um paciente pode apresentar pouca definição mandibular por características anatômicas mesmo sem flacidez significativa.
Por isso, é importante avaliar também o perfil facial e a relação entre queixo, mandíbula e pescoço.
Essa análise ajuda a diferenciar uma característica estrutural de uma alteração provocada pelo envelhecimento.
O platisma também pode interferir no contorno?
Pode.
O platisma é um músculo superficial da região cervical e pode apresentar alterações ao longo do envelhecimento.
Em alguns pacientes, essas mudanças participam da perda da definição do pescoço e podem contribuir para a formação de bandas cervicais.
Por isso, a avaliação para um lifting cervical não deve observar somente a pele.
Deep Plane Facelift pode melhorar o contorno mandibular?
O Deep Plane Facelift é uma das técnicas utilizadas no rejuvenescimento cirúrgico facial.
Sua proposta envolve a abordagem de planos profundos e o reposicionamento de determinados tecidos.
Quando a perda da definição mandibular está relacionada às alterações faciais abordadas pela técnica, essa região pode fazer parte do planejamento.
A indicação, porém, depende da anatomia e das alterações encontradas em cada paciente.
Existe uma idade certa para considerar lifting?
Não existe uma idade específica que determine a necessidade de lifting facial ou cervical.
Pacientes da mesma idade podem apresentar padrões de envelhecimento bastante diferentes.
A indicação está relacionada às alterações presentes, à anatomia e à queixa do paciente.
Por isso, a avaliação não deve partir apenas da idade.
Depois dos 40 anos, a perda do contorno mandibular é sempre flacidez?
Não.
Com o envelhecimento, a flacidez pode passar a ter maior participação, mas ela não é a única possibilidade.
Perda de volume, características anatômicas, gordura localizada e alterações cervicais também podem interferir na percepção da mandíbula.
Por isso, o diagnóstico da causa continua sendo mais importante do que a idade isoladamente.
Como é feita a avaliação?
A análise precisa considerar face, mandíbula e pescoço como regiões relacionadas.
Entre os pontos que podem ser observados estão:
- Posição dos tecidos faciais
- Flacidez da pele
- Linha mandibular
- Projeção do queixo
- Gordura abaixo do queixo
- Região cervical
- Platisma
- Excesso de pele
- Distribuição dos volumes
- Características anatômicas individuais
A partir dessa avaliação, é possível identificar quais estruturas possuem maior participação na perda do contorno.
Como saber se preciso de lifting facial, cervical ou dos dois?
A resposta depende de onde estão as alterações que provocaram a mudança percebida.
Se existe participação predominante dos tecidos da face, o lifting facial pode ser considerado.
Se as alterações estão principalmente no pescoço, o lifting cervical pode ter maior participação no planejamento.
Quando face e pescoço apresentam alterações relevantes simultaneamente, pode existir indicação de uma abordagem associada.
Conclusão
Perder o contorno da mandíbula não significa automaticamente precisar de lifting facial ou lifting cervical. Primeiro é necessário descobrir por que essa definição foi perdida.
Flacidez facial, alterações cervicais, gordura abaixo do queixo, platisma, características da mandíbula e projeção do queixo podem participar da mesma queixa.
Quando a alteração está predominantemente na face, o lifting facial pode fazer parte do planejamento. Quando está concentrada no pescoço, o lifting cervical pode ser considerado. Quando as duas regiões apresentam mudanças, uma abordagem associada pode ser avaliada.
A escolha começa pela identificação das estruturas envolvidas e não pelo nome do procedimento.